Esquizofrenia não é sinônimo de doença

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Esquizofrenia x violência É fato que o senso comum imagine que doenças mentais estejam relacionadas com violência, mas não é bem assim. Veja as estatí...

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Esquizofrenia x violência

É fato que o senso comum imagine que doenças mentais estejam relacionadas com violência, mas não é bem assim. Veja as estatísticas científicas sobre a esquizofrenia:

  • apenas 5% dos esquizofrênicos cometem atos de violência, que vão desde uma briga de tapas ao homicídio;
  • em torno de 45% dos esquizofrênicos tentam suicídio e;
  • 10% se matam.

“Se compararmos, vemos que o número de homicidas entre a população de esquizofrênicos é muito menor que o de homicidas na população sem doença mental. Na verdade, a esquizofrenia está mais ligada ao suicídio”, complementa o psiquiatra e coordenador do Programa de Esquizofrenia da Unifesp, Rodrigo Bressan.

Casos marcantes

Mesmo assim, casos raros e marcantes como o do designer que morreu após ser acertado por um taco de madeira em uma livraria de São Paulo, o do estudante de medicina que matou três em um cinema na capital paulista e agora, a do cineasta Eduardo Coutinho são claramente uma tragédia, mas não precisam ser uma tragédias para todos que sofrem de esquizofrenia.

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Dr. Antônio Geraldo da Silva, afirma que todo o paciente esquizofrênico sofre estigma. “Imagina se toda a notícia sobre alguém que cometeu um crime estivesse relacionada com o fato de ela ser hipertensa ou não. Veríamos que esta relação é alta. No entanto, ninguém relaciona hipertensão com violência. No caso do esquizofrênico, o estigma é muito alto e o contrário acontece. Nem sabem se o rapaz era esquizofrênico, eu não vi nenhum laudo sobre isto, mas já dizem que ele é esquizofrênico. É um País psicofóbico”, disse.

Foco no tratamento e não no preconceito

Os dados da Coordenação de Saúde Mental da Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro reforçam o perigo da falta de tratamento. Dos 120 que cumprem medida de segurança no Hospital Henrique Roxo, 40 cometeram homicídio e quase todos eles não estavam em tratamento quando cometeram o crime.

O psicólogo e psicoterapeuta da Clínica de Comportamento e Saúde, Dr. Sandro Tubini, esclarece que “A saúde mental muita vezes é relegada para segundo plano por parte do paciente e por parte da própria família. Mas o fato é que doenças como a esquizofrenia requerem tratamento medicamentoso e psicoterápico por toda a vida, em função do nível de desorganização mental causado pelos delírios, alucinações e paranóias que são típicos nesses casos“.

Para Gattaz, do Insituto de Psiquiatria do HC, nada impede mais a reabilitação destes indivíduos que o preconceito. “É preciso lembrar que existem mais de um milhão de esquizofrênicos no País e que precisam de tratamento”, diz. O risco de violência sobe para 30% quando o esquizofrênico consome álcool ou drogas.

A reação ao caso da morte do cineasta Eduardo Coutinho já é sentida nos consultórios. “Vemos pacientes com esquizofrenia que passam a negar que têm a doença, pois como não matam, logo não são esquizofrênicos”, diz o presidente da Associação Brasileira de psiquiatria Antônio Geraldo da Silva.

O psiquiatra alerta que o aumento do estigma é um perigo, pois a violência só acontece por falta de tratamento. “A doença não é algoz. O algoz é não ter o tratamento”, diz, lembrando que estimativas afirmam que existem 1.500 esquizofrênicos sem tratamento só na cidade de São Paulo.

Impacto no comportamento e na saúde

O mais importante nesses casos de saúde mental é uma ação rápida por parte do familiares, pois a estruturação mental fica afetada, o que prejudica a razão, o relacionamento e o comportamento do paciente. Portanto é fundamental que os tratamentos psíquicos comecem o quanto antes para que não haja uma grande desestruturação do ego”, conclui Dra. Daniele N. Tubini, psicóloga e psicoterapeuta da Clínica de Comportamento e Saúde.

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Equipe Comportamento e Saúde

 

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