Otakus japoneses preferem garotas virtuais

Otakus japoneses preferem garotas virtuais

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A ausência de sociabilidade é um sintoma claro de dificuldades de relacionamento, pontua o Dr. Sandro Tubini, psicólogo.

Dormir bem deixa as pessoas menos medrosas
Você tem vergonha de amar?
Ser grato ajuda a viver melhor e mais feliz

Mulher real x Mulher virtual

A não ser que algo aconteça para melhorar o índice de natalidade do Japão, a sua população vai diminuir por um terço entre agora e 2060, pois um motivo para a falta de bebês é o surgimento de uma nova “categoria” de homens japoneses, eles são conhecidos como Otaku, que gostam mais de literatura mangá, anime e computadores do que sexo no mundo real.

Trata-se de uma geração de “nerds” que cresceu durante os últimos 20 anos de estagnação econômica, assim eles preferiram se desligar do resto do mundo e imergir em um comportamento fantasioso.

Kunio Kitamara, da Associação Japonesa de Planejamento Familiar, descreve estes japoneses como “herbívoros” – passivos e sem desejo carnal.

Eterna Adolescência

Dois otakus, Nurikan e Yuge, conversaram com a BBC sobre suas namoradas virtuais e segundo eles, as “meninas” chamam-se Rinko e Ne-ne, e são partes do jogo de videogame Love Plus, da Nintendo. Veja a opinião deles:

  • “É o tipo de relacionamento que gostaríamos de ter tido quando estávamos no colégio”, diz Nurikan, que no jogo ele têm 15 anos, apesar de na vida real estar com 38;
  • “Enquanto eu tiver tempo, vou continuar com esse relacionamento para sempre”, diz Yuge, 39 anos e que explica como é seu namoro, “Como ela está no colégio, ela passa para me pegar pela manhã e vamos juntos para a escola. Depois da escola, nos encontramos nos portões e vamos para casa juntos. No jogo, eu tenho 17 anos de idade”;
  • “Na escola, você pode ter relacionamentos sem pensar sobre casamento. Com namoradas de verdade você precisa sempre considerar se vai casar. Então eu penso duas vezes antes de namorar uma ‘mulher 3D'”, diz Yuge.

Detalhes

  • Os otaku vivem uma vida mais sedentária e com pouca interação com o sexo oposto. Uma pesquisa do ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar em 2010 afirma que 36% dos japoneses com idades entre 16 e 19 anos não têm interesse em sexo – o dobro do registrado no levantamento realizado dois anos antes;
  • O sociólogo Roland Kelts, baseado em Tóquio, diz que muitos japoneses são pessimistas sobre seu futuro. Eles não acreditam que terão a possibilidade de igualar a renda de seus pais, e por isso não querem se comprometer com relacionamentos;
  • Muitas pesquisas mostram que mesmo quando estão em relacionamentos, japoneses e japonesas têm poucas relações sexuais. Um levantamento mostra que apenas 27% disseram fazer sexo todas as semanas;
  • O número de casamentos também desabou, assim como a quantidade de bebês nascidos fora do casamento.

Impacto no comportamento e na saúde

O Dr. Sandro Tubini (psicólogo e psicoterapeuta da Clínica de Comportamento e Saúde), explica que,“A ausência de sociabilidade é um sintoma claro de dificuldades de relacionamento. Estas pessoas estão se confinando dentro do seu mundo imaginário e isto é muito perigoso para a sociedade, afinal o uso da imaginação como uma porta aberta sem limites e sem critérios pode levar a fim dramáticos”.

Equipe Comportamento e Saúde

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